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sexta-feira, 2 de maio de 2014

“O inimigo está dentro”. Uma resposta às calúnias dos governistas

Quando Lula ganhou a eleição presidencial em 2002, o povo brasileiro em geral e os setores organizados da classe, em particular, tiveram uma nova esperança acesa em seus corações. Seria a oportunidade de colocar a limpo os últimos anos do século passado quando, sob a égide do Governo FHC, a Petrobrás foi levada ao sucateamento e desmembramento para sua privatização.

Seria uma oportunidade histórica de nos livrarmos de uma maldição tucana que acabou com o monopólio estatal do petróleo e através da lei de concessões, estava entregando as riquezas de petróleo e gás do nosso país, bem como outras joias como a VALE, as TELES, as petroquímicas etc. Sem falar nas dezenas de denúncias de corrupção que envolviam o governo FHC e seus aliados e que precisavam ser apuradas e ter seus principais artífices presos.

Junto com isto, o corpo técnico da companhia julgava que diversos problemas que vivenciava naqueles difíceis tempos tucanos pudessem ser resolvidos, como as questões relativas à PETROS, à terceirização, à segurança nas plantas industriais, aos contratos e novos empreendimentos, a situação dos aposentados etc.

Passados quase 12 anos, é preciso que seja feito um pequeno balanço do que aconteceu. A Petrobrás, é verdade, não foi privatizada. Mas até o pré-sal está sendo leiloado, agora no sistema de partilha. Se fizeram 4 leilões sob FHC, sob Lula e Dilma foram mais sete realizados. A Petrobrás voltou a contratar trabalhadores diretos e saiu de menos de 40 mil funcionários para mais de 80 mil funcionários hoje. Mas a terceirização está desgovernada, com mais de 320 mil contratados indiretos. A segurança nas plantas industriais é sofrível, para dizer o menos, com a gestão burocrática do papel querendo substituir as condições inseguras que os equipamentos sucateados anos a fio mantém junto aos locais de trabalho. Os contratos e novos empreendimentos vivem o calvário dos EPCistas, relegando a memória técnica adquirida em anos de conhecimento tecnológico de ponta na indústria petroleira. E a Petros?…

Bem, a Petros passou a ser utilizada pelos companheiros da FUP como um bunker para auxiliar o governo a implementar suas políticas públicas. Os petroleiros passaram a sustentar financeira e administrativamente dezenas de planos do chamado MULTIPATROCÍNIO da Petros. Em 10 anos, em valores históricos, cerca de R$ 200 milhões provenientes dos cofres dos planos dos petroleiros foram utilizados para a administração dos planos de aposentadoria de diversas categorias.

A Petros é ré confessa, como comprova a proposta de ajuste de conduta feita pela própria Petros à Previc (órgão fiscalizador). Nesta proposta, a Petros anistia os gastos anteriores e as despesas atuais de todos estes 36 planos deficitários existentes. E, mesmo assim, somente 7 – sete! – conseguiram apresentar algum irrisório superávit. Isto por que a provisão de pagamento de ICMS – que teria que ser paga por todos os planos foi lançada – uma vez mais – somente para os planos Petros 2 e Petros do Sistema Petrobrás.

Ou seja, ao invés de apurar as denúncias de corrupção da era FHC – a maioria feita pelos próprios companheiros – os governistas preferiram se calar. Optaram por manter os aliados de FHC como seus aliados. Construíram uma aliança nacional com partidos que sustentaram historicamente a direita em nosso país. E, com isto, mantiveram suas práticas e adquiriram seus hábitos.

Senhores da FUP: não terão a nossa concordância para gastar o dinheiro dos petroleiros ativos e aposentados sem o conhecimento e o consentimento destes. Se a direita, que são os novos amigos que vocês fizeram nos últimos anos, está sujando o nome da Petrobrás e da Petros, só faz isto pelo silêncio nefasto que vocês têm mantido. Graça Foster e Guido Mantega estão reféns de corruptos por uma opção política que vocês fizeram em 2003, no momento em que assumiram o Palácio do Planalto e preferiram se calar diante da corrupção e da venda dos direitos e do patrimônio dos trabalhadores e do povo brasileiro.

O inimigo não está entre os que lutam para defender a PETROBRÁS e a PETROS. O inimigo não está entre os seus antigos aliados, abandonados por vocês. O inimigo está ao lado de vocês, dentro das alianças que vocês construíram em nome de uma governabilidade que causa nojo as pessoas de bem.

* Texto de Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino, publicado em 30/04/2014 no Jornal Surgente 1264, do Sindipetro RJ, em resposta a novos ataques da FUP aos lutadores da categoria petroleira.